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de volta

De volta à terra infinita de onde o mar nos tira o chão de debaixo dos pés.  Onde a lua nos banha com beijos de luz e o sol nos embraça com amor. De volta à saudade de quem já partiu e dos que ficaram por aí.  Dos copos vazios nas esplanadas dos cafés.  Dos amores perdidos pelas ruelas vazias da história. De volta ao adeus dos demais, e às chegadas dos que faltam. De volta, digo eu, que nunca me fui embora daqui.

é na noite

É na noite que a melancolia cria raízes Nessas vozes sussurradas de amor e mel Nas peles das mulheres que se despem  No amor do toque e da ternura É na noite que a alma se deita e sonha Na luz da lua que embala o olhar de quem ama No adeus de quem chora  Na vida que dorme É na noite que te procuro e perco Por entre os lençóis ainda quentes No teu cheiro quase morto É assim que a melancolia floresce

estrela cadente

já pensaste no que seria se tivéssemos nascido como estrelas cadentes a sobreviver dos desejos de quem nos visse a passar naquela correria doida entre as estrelas da noite  estes dois seres inócuos cheios de sonhos de outrem percorrendo um universo sem fim com esperança no peito que sonho que seria 

Céu Limpo

Não sei, às vezes olho pela janela e procuro no céu as nuvens, não sei se por saudade ou por vontade de esconder o céu.  Às vezes ainda me lembro de ti e da cor dos teus olhos, ainda me lembro daquele sabor adocicado dos lábios.  Aquele toque, aquela pele quente o respirar do... o teu respirar junto a mim.  Não sei, talvez ainda sonhe com o voltar do tempo atrás.  Às vezes tento tento dar corda a um relógio, não para que ele ande para a frente mas para que, para que o tempo volte.  Para que eu possa novamente segurar-te, para que eu possa olhar-te nos olhos, para que possa. Talvez um dia destes, talvez um dia destes eu consiga parar, de pensar em ti.  Enquanto ouço o carro a ligar contigo dentro e ouço-te partir.  Mas nem tudo é mau.  Agora posso ser eu novamente, posso ser este invólucro vazio que um dia foi preenchido por ti. Quem sabe se amanhã eu não abro a janela e procuro um céu limpo.

Godspeed

Godspeed young martyr May the flame that feeds your soul burn forever And the pieces of you that are left behind find a way home Unbroken and safe   Godspeed young lover May the warmth of your skin keep the hearts of your lovers safe May the hearth that is poured on you be light May you reborn like the morning sun

#3

tenho a saudade a corroer-me os ossos vejo o pôr e o nascer do sol num piscar de olhos tenho a pele fria e os lábios secos talvez seja assim que se morre no embraço da saudade que fica na memória de quem parte talvez seja assim que nos tornamos eternos

fome

podia ter-te nos meus braços e sentir a tua pele na minha beijar-te o pescoço enquanto te passo a mão pelo cabelo saborear-te como a um pêssego suculento  mas tu não estás e eu aqui com fome de ti