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A mostrar mensagens de novembro, 2018

retalhos #1

A pedra negra que recebe o beijo frio deste mar imenso, como se de amor se tratasse. O embalo das ondas que os junta e tão friamente os separa, nesta dança infinita. ______________________________________________________________________________ Espero-te, sentado à beira mar, sentindo o vento e a maresia que me enchem o peito, o mar a rebentar nas rochas que vivem na areia pisada. Espero-te, mas tu não vens. Já não o fazes. Escolhes-te deixar-me aqui nesta imensidão, sozinho. À tua espera. Retiro do sol a energia que já não tenho, só falta a coragem. Essa levaste-a contigo quando partiste. _______________________________________________________________________________ Hoje o dia amanheceu frio, como se os ventos do norte tivessem decidido fazer-nos uma visita. Na estação de comboios um grupo de pessoas espera impaciente pelo calor da carruagem. O frio obriga a uma indumentária mais pesada, quase medieval. Corpos que carregam grandes capotes de peles falsas, gorros e l...

Uma história

Sentado numa daquelas cadeiras típicas de um café de esquina, estava um homem de meia idade, de fato branco e chapéu de palha. Não teria menos de 60 anos, via-se ser uma pessoa de bem, barba bem feita, sorriso na cara, bengala em madeira com uma pequena águia onde pousava as mãos. Comia uma sopa. De tal maneira singular que não passava despercebido a ninguém. Todas as senhoras de idade que se perdiam nos seus encantos coravam de timidez, e ele apenas sorria. Fiquei curioso, quem seria esta personagem, quem seria este homem. Ao fim de pouco tempo chamou a empregada e pediu um copo de água e a conta, com a sua leveza nas mãos retirou do bolso algumas moedas e pagou o seu manjar, e lentamente atravessou o café sempre com um sorriso na cara enquanto acenava gentilmente a cada senhora que lhe sorria. Não resisti e segui-o, tinha de saber quem era. Andava devagar, sempre com o apoio da sua fiel águia que o guiava pelo passeio incerto. Parou em frente a uma igreja, não muito longe do c...

fogo na língua

Leva-me o vento as palavras que debito como balas perdidas numa batalha de nadas A guerra de frases amorosas e gestos carinhosos que ficam como espólios As crianças que correm pelo campo de batalha, sozinhas, com fogo na língua Escuta o ardor das labaredas que amam a madeira que lhes mata a fome Parecem corpos de amantes perdidos na noite fria entre vales de seda É uma guerra perdida esta de sentimentos absurdos, de falsas verdades Encostas-te à melancolia do tempo que se perde entre as frechas de luz que invade o quarto vazio Pernoitas nas lembranças do calor de alguém que partiu nas asas de uma gaivota