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A mostrar mensagens de julho, 2019

o condenado

Ao abrir os olhos sinto a dor de uma luz que me queima as pálpebras. Ouço o burburinho das pessoas que falam no corredor. Sobe-me pela espinha uma dor aguda e um calafrio. O colchão de palha moída numa cama de ferro maciço magoa-me as costas, as pernas, a cabeça e a alma. Hoje é um dia especial, cada vez que inspiro encho o peito até não puder mais, como quem enche o peito de vida, e quando expiro, faço-o devagar, aproveitando cada centímetro cúbico dessa mesma vida que me resta. Aproveito a calma antes da tempestade para cravar o meu nome nas pedras negras da parede, junto a tantos outros nomes que por aqui passaram. Serei apenas mais um nome numa parede de pedra que um dia será esquecida. Ouço passos, a porta abre-se devagar, entra um homem de batina preta e colarinho branco, atrás dele um homem alto de farda escura e semblante fechado. Sentamo-nos na beira da cama, lado a lado em silêncio.  O pequeno livro negro que traz na mão com uma cruz dourada na capa leva-me de v...