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A mostrar mensagens de dezembro, 2020

despedida

ouço passos e vozes trémulas  entre as cordas da guitarra  que toca como pano de fundo já não sei o que quero ser se quero continuar por aqui  ou partir para longe dói-me o peito  sinto um formigueiro nas mãos e não sinto as pernas ouço sussurros ao ouvido pedidos de desculpa despedidas e choros não sei se alguém se despede ou se sou eu que me despeço de mim

suspiro

acende-se a luz do palco aos poucos os lugares se vão enchendo  espreito por entre a cortina não te vejo as luzes apagam-se  ilumina-se o centro do palco caminho confiante para o holofote e olho o infinito sinto um nó na garganta tenho as palavras presas debaixo da língua ouve-se o silêncio da sala ouvem-se os relógios que marcam o compasso e eu ali estou a tentar procurar-te no meio de uma sala vazia e tu não estás e nem eu está só o público  e eu suspiro e ouvem-se palmas e vêem-se semblantes de pé ouvem-se vivas e bis  e assim é a vida um suspiro e um aplauso um vazio que se enche  com o que não se tem

maré

nasci à beira mar virado para a lua  gatinhei na areia húmida rastejei nas dunas com musas caminhei por entre a bruma  como o mar que vai e volta como o sol que se põe e renasce espero agora com os pés na água que o vento da mudança chegue e que eu renasça  à beira mar virado para o sol

s ó

a solidão é um sentimento violento que nos arrasta pelo chão  como se fossemos nada  rasga-nos a pele com o seu embraço bebe da nossa essência sem que nos peça ainda bem que ela existe

c)

tenho um pássaro amarelo no parapeito da janela consigo vê-lo da cama todas as manhãs  chega, olha-me, canta para mim e vai-se é o meu sol pessoal que me canta