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A mostrar mensagens de março, 2019

a criança que corre

Vejo uma criança correr numa rua deserta ao fundo de mim, parece-me demasiado familiar. Corro também na sua direcção na esperança de a encontrar e de a salvar de algo que não sei se existe. A rua muda, as casas tornam-se negras, o céu também. A criança corre como se fosse uma gazela que corre nos campos africanos ao fugir de um leão faminto. Será que não vê que é perigoso para onde vai? A perseguição continua naquilo que parece ser um campo aberto, onde a chuva que ameaçava a rua, castiga agora o chão sujo de terra. Eu grito mas não me ouve, mas é tão familiar aquele correr, tento puxar por mim e quase que fico sem pulmões. Entramos numa linha de árvores de ramos despidos, numa passadeira de folhas mortas que não se manifestam ao nosso passar, como se fossemos vento. As árvores formam um túnel como um guia para o destino, ao passar a luz a criança ali está parada de costas, a um passo de um precipício, a um passo do nada e do tudo. Recupero o fôlego e junto-me a mim próprio, eu agora...

quero ser rio

Caminho por entre as estrelas numa noite escura, no meio de um campo vazio. Sinto a brisa suave do vento como se fosse um beijo teu. Inspiro as constelações e exalo cometas que atravessam rasgando o mundo. Cada passo que dou é uma conquista, é um pequeno passo para mim, e um passo tão insignificante para a humanidade. Sinto o aroma da maresia, da tua pele, do teu sorriso. Fecho os olhos e vejo as galáxias que me deixas. Ao fundo corre sem parar um destino feito de água, que lava tudo quanto banha. Quero ser rio, quero abraçar o caminho que me resta, quero que sejas barco e que navegues em mim.

encher-me de infinito

Passaram-se dias infinitos desde a última vez que te vi. O universo nunca mais foi o mesmo, e nem eu. Tenho sede da tua presença, do teu sorriso que me mata a fome da alma faminta. Quero-te ver, quero encher-me de infinito outra vez.