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A mostrar mensagens de novembro, 2021

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mergulho a cabeça debaixo de água  tento abafar o grito que não me sai da cabeça cerro os olhos com violência e os punhos com raiva a água embala as lágrimas que escorrem como filhos perdidos e eu levito entre a luz amarelada da lâmpada do tecto e o arrependimento

ser poema

adormeço com um poema debaixo da almofada na esperança de acordar poeta e de ver o mundo pelos olhos melancólicos de quem me lê quero ser um pensamento abstrato que cultive ideias e sentimentos ser jardim onde o amor cresce e floresce e é cuidado não me importo de acordar e ser poema desde que possa ser declamado pelos lábios doces de quem me quer ouvir

catástrofe

A catástrofe é uma semente que se cultiva quando se nasce Que se consome enquanto se passeia pelas ruas de Lisboa  É o reflexo no espelho da casa de banho pública manchado pela vergonha alheia É ser-se inteiramente dividido entre pôr ou não a mão na testa do miúdo da vizinha Construir um abrigo fechado a sete chaves entre prédios devolutos  Ser-se catastroficamente alguém que vive sendo único