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A mostrar mensagens de agosto, 2020

sorte grande

esqueci-me de te perguntar a que sabia o sal do mar azul onde te perdeste e qual era o cheiro da geada matinal quando os pássaros te acordavam e se o brilho das estrelas era igual ao daqui deste lado onde eu estava à tua espera. agora que penso nisso acho que perdi a noção do tempo enquanto olhava para o relógio e contava os segundos para que voltasses para casa.  não sei o que me deu se foi algo que comi ou se simplesmente foi o meu corpo a dizer que precisava de expurgar os meus sentimentos. tenho pena de não ter uma casa para onde possa fugir e abrigar-me entre as paredes quentes de um abraço. talvez se esperar mais um pouco, pode ser que ganhe alguma coisa que seja um dos sorteados para ser feliz, pode acontecer, pelo menos é o que dizem as estatísticas. 

não está, nunca esteve, nunca estará

há silêncios que gritam de forma ruidosa, que nos abalam por dentro sem a expectativa de sermos ouvidos. os pulmões ardem como labaredas que saboreiam a lenta solidão que os alimentam. a pele rugosa que se desfaz como a areia de uma duna condenada a morrer entre a espuma do mar bravo. é tudo muito bonito quando se usam eufemismos para mascarar a dor que sentimos. a máscara que pomos do pateta alegre para que não nos perguntem se está tudo bem. não está, nunca esteve, nunca estará.