De volta à terra infinita de onde o mar nos tira o chão de debaixo dos pés. Onde a lua nos banha com beijos de luz e o sol nos embraça com amor. De volta à saudade de quem já partiu e dos que ficaram por aí. Dos copos vazios nas esplanadas dos cafés. Dos amores perdidos pelas ruelas vazias da história. De volta ao adeus dos demais, e às chegadas dos que faltam. De volta, digo eu, que nunca me fui embora daqui.
podia ter-te nos meus braços e sentir a tua pele na minha beijar-te o pescoço enquanto te passo a mão pelo cabelo saborear-te como a um pêssego suculento mas tu não estás e eu aqui com fome de ti
Não sei, às vezes olho pela janela e procuro no céu as nuvens, não sei se por saudade ou por vontade de esconder o céu. Às vezes ainda me lembro de ti e da cor dos teus olhos, ainda me lembro daquele sabor adocicado dos lábios. Aquele toque, aquela pele quente o respirar do... o teu respirar junto a mim. Não sei, talvez ainda sonhe com o voltar do tempo atrás. Às vezes tento tento dar corda a um relógio, não para que ele ande para a frente mas para que, para que o tempo volte. Para que eu possa novamente segurar-te, para que eu possa olhar-te nos olhos, para que possa. Talvez um dia destes, talvez um dia destes eu consiga parar, de pensar em ti. Enquanto ouço o carro a ligar contigo dentro e ouço-te partir. Mas nem tudo é mau. Agora posso ser eu novamente, posso ser este invólucro vazio que um dia foi preenchido por ti. Quem sabe se amanhã eu não abro a janela e procuro um céu limpo.
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