suspiro

acende-se a luz do palco
aos poucos os lugares se vão enchendo 
espreito por entre a cortina
não te vejo

as luzes apagam-se 
ilumina-se o centro do palco
caminho confiante para o holofote
e olho o infinito

sinto um nó na garganta
tenho as palavras presas debaixo da língua
ouve-se o silêncio da sala
ouvem-se os relógios que marcam o compasso

e eu ali estou a tentar procurar-te
no meio de uma sala vazia
e tu não estás e nem eu
está só o público 

e eu suspiro
e ouvem-se palmas
e vêem-se semblantes de pé
ouvem-se vivas e bis 

e assim é a vida
um suspiro e um aplauso
um vazio que se enche 
com o que não se tem

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