retalhos #1

A pedra negra que recebe o beijo frio deste mar imenso, como se de amor se tratasse.
O embalo das ondas que os junta e tão friamente os separa, nesta dança infinita.
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Espero-te, sentado à beira mar, sentindo o vento e a maresia que me enchem o peito, o mar a rebentar nas rochas que vivem na areia pisada.
Espero-te, mas tu não vens. Já não o fazes. Escolhes-te deixar-me aqui nesta imensidão, sozinho. À tua espera.
Retiro do sol a energia que já não tenho, só falta a coragem. Essa levaste-a contigo quando partiste.

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Hoje o dia amanheceu frio, como se os ventos do norte tivessem decidido fazer-nos uma visita. Na estação de comboios um grupo de pessoas espera impaciente pelo calor da carruagem. O frio obriga a uma indumentária mais pesada, quase medieval. Corpos que carregam grandes capotes de peles falsas, gorros e luvas sem dedos, cobras de tecido que se enrolam no corpo frio. Faltam os cavalos, aqui a sua força é substituída pelo frio do aço, o calor pela electricidade que o move.

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