Tenho medo de mim

Ode a Mário de Sá-Carneiro

Tenho medo dos meus olhos
Tenho medo de como eles parecem um poço sem fim
Escorre-me a alma pelos poros
Derramo a  vida pelos pulsos que corto com as penas que uso para escrever
Mancho o papel com a chuva dos olhos
Deixo as palavras navegar
Rompem-me as cordas que me seguram o peito
Sigo pela tempestade que me abala e afunda
Pouso o coração numa balsa furada
Enquanto o corpo se envolve numa dança lenta da morte que não chega
Tenho medo de mim
E das palavras que digo
Procuro um porto seguro

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