Solstício de verão
Caiem as estrelas nesta noite fria de chuva intensa.
Nas ruas correm gatos selvagens, como os invejo.
Puder sentir as estrelas na pele, livre.
No ar o cheiro da terra molhada que nos transporta para a infância.
Acendo um cigarro.
Vou queimando os minutos de uma vida estagnada por entre os dedos.
Ao longe alguém ri, aqui chora-se ao ritmo da chuva.
O fumo invade o ar à minha volta, numa nuvem quase mística de solstício de verão.
Ouve-se Chet Baker.
Bebe-se o luar.
Vomita-se a vida.
Queima-se a vontade de viver.
É só mais uma noite.
É só mais um delírio de um homem triste.
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