Pele rançosa

Caiem despavoridas lágrimas de um rosto vestido de mentira.
Escorrem pela pele rançosa de encontro ao peito nu de alguém que não ouve, não vê e não sente.
No chão frio ficam as manchas da tempestade, na cama o calor perde-se a cada segundo que passa.
O corpo nu diverge da realidade, veste-se e sai.
Para trás ficam palavras perdidas, pequenos sorrisos, pequenos sonhos. Tudo demasiado pequeno, até o sentimento.
Passam estagnadas, horas, dias, meses, minutos, segundos, tudo passa.
Procura-se na memória perdida no universo de vida uma razão, não há, nunca houve.
É borbulhante a vida, como um copo de champanhe deixado ao luar numa noite de verão escaldante.

Vive-se agora, no agora, no instante, no momento em que se inspira e expira.
Sente-se o vento frio nas pontas dos dedos, sente-se.

Sorri o peito vestido, ouve, vê e sente, tal qual gente.

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