um dia que seja o dia
foram os dias marcados por sentimentos quebrados feridas abertas sonhos destroçados. foram anos de tortura na pele marcada pelos segundos perdidos entro ponteiros de um relógio parado. por vezes sinto-me como uma vela acesa numa sala cheia de luz. deixa-me ser aquilo que nunca fui. deixa-me querer ter-te sem nunca te ter. pode ser que um dia alguém me pegue pela mão e me leve a voar por entre a espuma de oceanos escondidos. não me deixes ser mais uma desculpa, não me deixes ser mais uma gaveta fechada num armário cheio de portas abertas. não sou do tipo de esconder as cores que me correm nas veias, na pele enrugada de um falso sorriso. a minha mente parece um quarto vazio que carrega o silêncio. sempre pensei que um dia ao acender a luz de um candeeiro poeirento que tudo faria sentido. nem a chuva lava a escuridão do peito. se um dia, qualquer dia, talvez num dia antes que eu morra, talvez aí eu consiga ser, ou ver-te feliz. guarda-me junto dos recortes das tuas memórias de infância até que um dia seja queimado como quem apaga uma vida que nunca foi. se um dia, for o dia, que seja o nosso.
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