II
estou cansado. cansado de dar aquilo que sou e não ficar com nada para mim. cansado de ter um vazio, de ver o mundo girar à minha volta enquanto eu estou estagnado no mesmo sítio. já perdi a conta às vezes que me deixei esgotar nas mãos de alguém. e eu? quando é que eu vou ter o meu tempo? quando é que vou conseguir parar e respirar fundo e sentir que faço parte das estações do ano. estou cansado e não tenho nenhum poiso meu. dizem que nunca estamos sós, mas é isso que eu quero, estar só. quero ser egoísta com o meu tempo e tê-lo todo para mim. quero atirar para um penhasco as cinzas desta monotonia que carrego nos braços, rasgar estas amarras que me impedem de pegar no carro e conduzir até não conseguir mais. tudo o que eu quero é ter tempo.
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