b)

já não sei quanto de mim 
está por aí perdido entre as ruelas
mesas de café e copos de cerveja
talvez ainda encontrem
sombras de quem fui ao anoitecer

com o nascer do sol
que embate de fronte da minha janela
que me afoga nessa luz forçada
que me aquece como se fosse nada

ouço o tic tac das vozes que me falam
que me enlouquecem com as suas verdades
sou os ponteiros de um relógio estragado
mudem-me as pilhas ou dêem-me corda

falo para as paredes e espero pacientemente
que elas se dignem a dar-me uma resposta
mas elas aproximam-se de mim
e mesmo antes de me esmagarem o corpo débil
sussurram-me ao ouvido coisas belas
como o sorriso que a lua tem  

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