Céu Limpo

Não sei, às vezes olho pela janela e procuro no céu as nuvens, não sei se por saudade ou por vontade de esconder o céu. 
Às vezes ainda me lembro de ti e da cor dos teus olhos, ainda me lembro daquele sabor adocicado dos lábios. 
Aquele toque, aquela pele quente o respirar do... o teu respirar junto a mim. 
Não sei, talvez ainda sonhe com o voltar do tempo atrás. 
Às vezes tento tento dar corda a um relógio, não para que ele ande para a frente mas para que, para que o tempo volte. 
Para que eu possa novamente segurar-te, para que eu possa olhar-te nos olhos, para que possa.
Talvez um dia destes, talvez um dia destes eu consiga parar, de pensar em ti. 
Enquanto ouço o carro a ligar contigo dentro e ouço-te partir. 
Mas nem tudo é mau. 
Agora posso ser eu novamente, posso ser este invólucro vazio que um dia foi preenchido por ti.
Quem sabe se amanhã eu não abro a janela e procuro um céu limpo.

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