Nas asas
Leva-me o vento as palavras que debito
como balas perdidas numa batalha de nadas
A guerra de frases amorosas e gestos
carinhosos que ficam como espólios
As crianças que correm pelo campo de
batalha, sozinhas, com fogo na lingua
Escuta o ardor das labaredas que amam a
madeira que lhes mata a fome
Parecem corpos de amantes perdidos na
noite fria entre vales de seda
É uma guerra perdida esta de
sentimentos absurdos, de falsas verdades
Encostas-te à melancolia do tempo que
se perde entre as frechas de luz que invade o quarto vazio
Pernoitas nas lembranças do calor de
alguém que partiu nas asas de uma gaivota
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