Uma gaiola

Tenho uma gaiola em casa que não tem vida, comprei-a num acto de rebeldia quando ainda podia ser rebelde. Enchi-a de sonhos e esperanças e fechei-a numa sala de paredes vazias. Por vezes espreito para lá para dentro para ver se alguma coisa saiu, para ver se encontro vida naquelas paredes nuas. Mas não, as paredes estão mais escuras, mais velhas. E a gaiola torcida pelo tempo deixa cair folhas secas que se tornaram pó quando tocaram o chão.  

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