Acender o fósforo
Acende-se um fósforo, segura-se entre
os dedos amarelados pelo fumo de uma vida inteira, dedos calejados,
doridos, rijos como pedra. Na boca uma beata de alguém que
provavelmente com pressa atirou para o chão. Sentado está com a
face suja, roupas velhas igualmente deslavadas que sobrevivem com o
corpo que tapam. Olha o infinito, olha como quem espera ver algo de
novo, olha como se a vida inteira já lhe tivesse passado à frente
dos olhos, não uma, não duas, mas sempre que o fósforo se acende.
O cheiro que emana como balas de uma arma invisível, afasta as
pessoas demasiado pudicas que têm medo de se sentar ao lado da
vida.
Comentários
Enviar um comentário