Tempestades

Existem dias em que parece que chove, mas na verdade estamos a chorar na alma. De tão pesada que fica que se assemelha a um tsunami de ideias parvas, sonhos desfeitos por nós próprios e a ridícula ideia de que ninguém nos ama. 
Hoje é um desses dias. 
Sinto o peso do mundo nos ombros enquanto me escorre a alma pela face, procuro um apoio nalguma coisa em que me possa servir de arma de arremesso. Sinto um calafrio na costas, mesmo no lugar onde aquela lâmina de palavras entrou e se retorceu até não conseguir mais. Parecem trovões saídos da boca de Zeus, mas não passam de borrifos de um corpo outrora cheio, e agora vazio de razão.
As tempestades vêm e vão, mas a destruição que deixam pelo caminho marcam para sempre. São cicatrizes que carregamos num peito já calejado, já doente, já frio. 
Somos árvores fustigadas pelo tempo, mas permanecemos de pé.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

de volta

fome

Céu Limpo