🏠

Sou casa partilhada com a devastação das horas que passam, e eu ainda estou de pé. Sou o chão que pisaram, sou a infâmia dos leitos rasgados que um dia susteram amor. Sou vazio no meio de tanto. Sou inteiro na solidão que me deixaram. Tenho as paredes cheias de nada, descascadas como fruta de verão. Resta me a saudade, essa mítica tortura de um passado desfeito em lágrimas de sangue.

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