Mãos vazias

Trago nas linhas que me atravessam o corpo invisíveis os sonhos de outrora, as memórias de sempre, e a vontade de viver penduradas.
Trago vazias as mãos que uso para não deixar cair nada e estilhaçar-se novamente.
Na ponta da língua trago o discurso gravado a fogo; está tudo bem.

Tenho rios que correm de norte a sul, que arrastam tudo pelo caminho.

Pouco tenho que me resta desta vida, senão as finas linhas que carrego.

Cabeça cheia.
E as mãos vazias.

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